Buscape

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


A história das carpetes do Oriente perde-se nos trilhos da História, nas tribos de caçadores do Próximo Oriente. Elas não eram tecidas, eram apenas as peles de animais caçados, as mesmas que cobriam as vergonhas do corpo e que foram empregues para impedir a passagem do frio nas cavernas.

Com os pastores/agricultores surgem os tapetes tecidos manualmente, visto que, com a domesticação dos animais estavam reunidas as condições para que tal processo se desenvolvesse.

Em 1949, uns arqueólogos soviéticos encontraram o Pazyryk, um tapete datado do séc. V ou IV a.C e que enquadra, nas suas cinco barras, um desenho relativamente sofisticado; a barra mais longa ou principal, tem nela desenhado um homem a cavalo, uma outra recebeu os contornos de um veado e o campo central é ornamentado com o motivo de quatro folhas. 
      
Foi durante o império Safávida (1501-1723) que as tapeçarias persas atingiram o seu maior esplendor tanto, em qualidade como em desenvolvimento. Em termos dos desenhos, eles inspiram-se no estilo curvilíneo que emergiu da corte de Timúrida em Samarkand.

Há registos de manufacturas imperiais em Kashan e Isfahan que se tornaram em importantes centros de fabrico de tecidos e tapetes de seda. Kashan esteve desde cedo associada à criação de carpetes com pêlo de seda porque foi o primeiro centro persa produtor de seda.

Herat foi a maior cidade do Oriente durante o período Safávida, e é a ela que se faz a maioria das atribuições. Contudo, muitas das peças tradicionalmente rotuladas como sendo originárias de Herat foram, na verdade, tecidas na Índia segundo o estilo clássico da Pérsia que ali foi prolongado como um legado da pródiga corte de Timúrida do século XV.

Na Pérsia, Anatólia e Índia houve uma crescente produção de carpetes durante os séculos XVI e XVII, seguidos de um relativo decréscimo no século XVIII, durante o qual deixaram de ser considerados como os principais centros de produção de carpetes de estilo imperial.

Os monarcas deixaram de patrocinar as manufacturas de produção de carpetes, mas o declínio ficou essencialmente a dever-se à invasão da Pérsia pelo Afeganistão. A confusão que se instalou no império Otomano, juntamente com a pressão europeia, levou a governo central desorganizado e corrupto.

Com o rompimento dos contactos estrangeiros e a perda de influência nos mercados, não havia o suporte económico para produzir mais carpetes do que aquelas que as necessidades locais exigiam. Deste modo, a arte regressa às suas origens, ao modelo de produção familiar.

Um mito do eterno retorno que se vê renascer na primeira metade do séc. XIX e que se rege, hoje em dia, por princípios bem diferentes daqueles que orientaram este negócio em tempos áureos.

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